Como a pandemia de coronavírus mudou o mercado

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Data

01/09/2020

Categoria

Notícias Gerais

Obras interrompidas, projetos cancelados e prazos extendidos: a pandemia de coronavírus também afetou o setor de arquitetura e design de interiores, que depende do pleno funcionamento de lojas de móveis, fornecedores de revestimentos e mão de obra, por exemplo.

E como os escritórios e profissionais estão lidando com a situação? E o que esperar do futuro? Conversamos com especialistas para entender o que eles têm feito, o que pode ser adotado para diminuir os impactos negativos e como se planejar para os próximos meses. Confira:

IMPORTÂNCIA DO HOME OFFICE 
Fabio Zeppelini, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Armando Alvares Penteado (FAAP), aponta que a quarentena evidenciou a importância que é ter um ambiente de home office nas residências. “As empresas estão mudando e perceberam que os funcionários podem trabalhar efetivamente de casa. Agora, as pessoas precisarão ter um espaço adequado para isso”, diz. Assim, ele acredita que a demanda por projetos com escritórios dentro de casa irá aumentar.

PROJETOS À DISTÂNCIA 
A maioria das obras dos arquitetos Nelson Kabarite e David Arias Ferreira, do Estúdio ZAR, que estava em andamento foi parada. Com escritório sediado em São Paulo, eles já realizavam projetos na Bolívia, na Argentina e nos Estados Unidos por meio de atendimento digital. “Tínhamos o conhecimento de atender online e, com a pandemia, entendemos que precisávamos atingir o público que quer fazer uma reforma, mas não pode sair de casa ou não sabia como contratar um arquiteto”, afirma Nelson.

A dupla criou o Quarentine Project, que consiste em consultorias online. Como funciona? Os clientes mandam o máximo de informações possíveis, como fotos, vídeos, medidas e a planta do imóvel. Com os dados, os arquitetos criam modelos 3D com sugestões de alterações. “Fazemos consultorias de projetos completos ou de ambientes específicos. Também damos dicas de coisas que a pessoa pode fazer sozinha, como pintar a casa, trocar um quadro ou mudar um móvel de lugar”, conta David.

 

Segundo eles, o retorno foi positivo já nos primeiros dias de projeto. Agora, os profissionais vão analisar como o método de trabalho à distância poderá ser aperfeiçoado quando a quarentena acabar. Para o professor da FAAP, soluções digitais como essa iniciativa vieram para ficar. “Não irão substituir a forma tradicional de fazer arquitetura, mas são uma ferramenta para somar”, aponta Fabio.

100% ONLINE
A One Help, startup que oferece soluções de arquitetura, também adaptou seus serviços que contavam com atendimento presencial. “Somos uma empresa de economia compartilhada. É como se fossemos um aplicativo de carona, no qual os nossos ‘motoristas’ são os helpers: fornecedores, arquitetos e designers que contribuem com o desenvolvimento de projetos”, explica Thiago Nicolielo, fundador da OneHelp.

Há três tipos de serviço: concepção de projetos de arquitetura e decoração, contratação da gestão de obra e consultoria com atendimento personalizado. Nesta última modalidade há uma fase na qual um helper vai até a casa do cliente para conhecer o espaço e propor soluções. Desde o início da quarentena, as visitas foram reduzidas e o atendimento totalmente online passou a ser oferecido – e, segundo o empresário, os atendimentos online dobraram no período de isolamento.

Porém, de acordo com Thiago, fica a critério de cada cliente e profissional se o encontro será realizado ou não. “Deixamos isso em aberto, mas fizemos as recomendações sanitárias necessárias para todos, como a necessidade de usar máscaras, lavar bem as mãos e manter distância social”, ele afirma.

 

IMPACTOS
Para Fabio, da FAAP, o setor de construção civil vai conseguir se recuperar sem grandes percalços. “Percebo que essa área não foi tão prejudicada quanto a de lojas, por exemplo. Para a retormada de obras, será preciso adotar as medidas de prevenção, como o uso de álcool em gel e máscaras”, comenta.

Wanderson Leite, CEO da Prospecta Obras, startup que mapeia obras em andamento no Brasil, acredita que é equivocado dizer que o setor não parou. “As lojas de materiais de construção, por exemplo, não foram impedidas de funcionar. Mas outras fatias do mercado, como marmorarias, lojas de móveis planejados ou vidraçarias não entraram no recorte de serviços essenciais e se veem diante de um cenário imprevisível a médio e longo prazo”, diz.

Diante de problemas financeiros que muitos estabelecimentos sentiram, Wanderson destaca que surgiu outra preocupação: “A construção civil não estava acostumada a ir atrás do cliente. Ela simplesmente esperava que ele batesse à sua porta”, analisa. Dessa maneira, é preciso se reiventar, como a One Help e o Estúdio ZAR fizeram, para tentar captar um novo público. “É preciso ser criativo e, principalmente, não ficar parado”, diz o CEO.

PODER DA COMUNICAÇÃO 
Com a interrupção de obras e projetos, a arquiteta Mariana Santoro, de São Paulo, sentiu falta de ter conteúdos para postar no Instagram de seu escritório. Então, ela idealizou o projeto Arquitetos Em Rede, que consistia na troca de conteúdos entre escritórios. “As obras são uma forma de divulgar nosso trabalho e senti que vários profissionais estavam com as postagens paradas”, conta.

A iniciativa começou com a participação de 14 escritórios e cada um chamava mais três profissionais para fazer postagens com a hashtag #ArquitetosEmRede. “Isso cresceu muito mais do que eu imaginava e não consegui mais repostar tantos stories”, lembra Mariana. Por isso, ela criou uma página exclusiva para o projeto no Instagram, que hoje já conta com mais de mil seguidores.

Profissionais e escritórios de diferentes estados, como Paraná, São Paulo e Sergipe, já participaram. “O conteúdo é livre. Recomendo que mandem coisas sobre áreas que eles gostam e dominam. Aprendi muita coisa e pretendo continuar com a página mesmo quando a pandemia acabar. Mas como faço tudo sozinha por enquanto, preciso analisar como vou organizar a produção e postagens”, comenta a arquiteta.

O professor Fabio considera que é preciso ter persistência e dedicação para criar uma boa página em qualquer rede social. “Isso é um diferencial, pois não são todos os clientes que olham os sites. Geralmente, eles são atraídos por algo que viram em redes sociais e, na pandemia, as pessoas estão mais conectadas. Ver um Instagram de decoração,que para nós é trabalho, pode ser relaxante para os outros”, comenta.

Pensando no futuro, Mariana se matriculou em um curso de gestão de redes sociais, pois acredita que será essencial o para fortalecimento de sua marca. “Estou apostando que, após a pandemia, o mercado de arquitetura vai ganhar novas possibilidades, então as redes sociais precisarão ficar mais fortes e bem redondinhas”, opina.

POR NATHALIA FABRO https://revistacasaejardim.globo.com/

 

 

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